primeira entrada monumental, na pág. 15:
"[o meu pai] levantou-se, contornou a secretária, tirou o isqueiro a gasolina do colete e pousou-me a mão aberta na nuca no gesto com que avaliava os borregos e as crias do estábulo
- faço tudo o que elas querem mas nunca tiro o chapéu da cabeça para que se saiba quem é o patrão.
o meu pai de mão aberta na nuca da filha do caseiro, uma adolescente descalça, suja, ruiva, suspensa das tetas das vacas acocorada num banquinho de pau, a filar-lhe o cachaço e a obrigá-la a dobrar-se para a manjedoura sem largar os baldes do leite, o meu pai outra vez escarlate a esmagar-lhe o umbigo nas nádegas, de cigarrilha acesa apontada às vigas do tecto sem que afilha do caseiro protestasse, sem que o caseiro protestasse, sem que ninguém protestasse ou imaginasse protestar, o meu pai tirando a mão da minha nuca e designando com desprezo a cozinha, os quartos das criadas, o pomar, a quinta inteira, o mundo
- faço tudo o que elas querem mas nunca tiro o chapéu da cabeça para que se saiba quem é o patrão"
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bembomzinhos